terça-feira, 24 de julho de 2012

Nota de Aula I



UMA PALAVRA INICIAL

Caro aluno,

            Esta apostila é colocada em suas mãos com uma finalidade: auxiliá-lo disciplina de Fundamentos Teológicos. Em absoluto, não tem a pretensão de esgotar o assunto. Portanto, de muita valia é consultar a bibliografia sugerida e buscar as referências ali consignadas.
            Neste inicio de semestre, gostaria de chamar a sua atenção para a importância desta disciplina. Longe de ser somente mais um elemento curricular, Fundamentos Teológicos e Tópicos Teológicos (que serão vistos no próximo semestre) compõem um conjunto único formidável que ajudará na nossa formação como um todo. Que ninguém considere este tempo que passaremos juntos, refletindo sobre muitas coisas sérias, tempo perdido, ou desnecessário.
Com certeza, o nosso curso de Administração/Fisioterapia seria deficiente, se não favorecesse, também, a formação do homem, a formação dos princípios e valores que motivam a convivência em sociedade e, para os que têm fé e a praticam, a formação para um sadio relacionamento com Deus.
            Que ninguém fique constrangido. A prática religiosa de todos será respeitada. O formato desta disciplina não privilegia o catolicismo. Os que não comungam com a doutrina católica poderão participar tranquilamente de todas as aulas. Assim, protestantes, judeus, espíritas, e até mesmo ateus, são convidados a palmilhar um caminho que todos podem percorrer: o da reflexão a respeito de si mesmo e do mundo que o cerca. Com a proposta, porém, de olhar para o alto e tentar encontrar algo/alguém (o Infinito, o Absoluto, ou, se quiser, Deus) que fundamenta a tudo e a todos.
Creio que é dispensável lembrar que não estamos aqui apenas para adquirir conhecimentos técnicos em vista de nossa futura profissão. De forma alguma! Também estamos aqui estamos para, ao longo do nosso curso, forjarmos os futuros cidadãos. Características dos verdadeiros homens e mulheres são não só a competência técnica, mas a paixão pelos outros homens e mulheres, particularmente os que mais sofrem e que mais precisam de nossas mãos e de nosso coração.
Por isso, meu caro, desejo que você tenha um bom semestre e, de fato, aproveite para a vida os conhecimentos adquiridos em sala de aula. Conte comigo.
Prof. Renato Moreira de Abrantes


UNIDADE I: CULTURA RELIGIOSA NA UNIVERSIDADE

            Que perda de tempo!

            Talvez o aluno recém-chegado à Faculdade Católica Rainha do Sertão se indague a respeito da utilidade de uma disciplina como Teologia em seus cursos de graduação. Outra disciplina mais técnica, ou mais aproveitável ao curso, deveria ser ofertada e, assim, haveria um andamento mais rápido.

            Para que estudar filosofia/teologia no Curso de Fisioterapia?

            Julgo que poderíamos responder a esta pergunta com outra pergunta: para que viver?

            O homem, como teremos a oportunidade de ler e ouvir, aqui e em muitos outros lugares, é um complexo formidável. Seria uma lástima reduzi-lo simplesmente a um aglomerado de células que, em conjunto, viabilizam a existência. Não somos um “pedaço de carne”; não somos apenas matéria. Pouco nos questionamos sobre o elemento que anima de fato a vida.

            Assim como não podemos considerar apenas a “materialidade” da vida, pois o homem é corpo, mas também ALMA, também não podemos dar embasamento teórico e prático apenas para a formação intelectual. Esta é importante, mas não a única. Temos que formar, também o ESPÍRITO.

            Há os que não se voltam para estas realidades. Assim, os empiristas, os positivistas, que não crêem na possibilidade de existir algo mais que a experiência sensível ou que a matéria. Ou os ateus, que não acreditam que Deus possa existir e interferir no mundo. Respeitemo-los.

            Porém, antes de tomar uma decisão intelectual a respeito de assuntos tão graves, julgo ser mais honesto ouvir e estudar o ensinamento de uma vertente espiritual que já tem dois milênios de existência e é acolhida por cerca de um bilhão e meio de habitantes do planeta Terra.

            No pleno respeito às diferenças religiosas, nossa linha a ser seguida no estudo desta disciplina será a proposta cristã-católica e sua doutrina nos campos espiritual e moral.

           
Texto: Cultura Religiosa na Universidade
                                                                                             Luis Henrique Marques - Jornalista

“Há quem ainda se debata com a questão da existência de Deus — sobretudo agora com a pretensa atitude do homem em criar clones, quem sabe, humanos — e, por tabela, sobre o valor da religiosidade na sociedade. E não é só: a própria miséria humana já é motivo, para muitos, mais que suficiente para a descrença em Deus e a negação da religião.

Pois bem, antes de tudo, é preciso que se diga o que muita gente já sabe ou deveria saber: Deus e a religião são realidades distintas. A primeira é perfeita e fim em si mesma; a segunda realidade, imperfeita — porque humana -, não é fim, mas meio através do qual se chega ao Infinito. Logo, fica quase óbvio concluir que a concepção e, em particular, o uso da religião são capazes de aproximar mais ou menos o homem de Deus e, por conseqüência, o homem de si mesmo e do seu semelhante.

Ora, para compreender até que ponto as práticas religiosas — quaisquer que sejam — estão contribuindo para a relação equilibrada do homem consigo mesmo, com o outro e com Deus, é necessário que se reflita criticamente. E mais: é preciso desmistificar o fenômeno religioso na sociedade, de modo a superar antigas e retrógradas visões da prática religiosa, como também promover a sua “re-criação”, sempre mais sintonizada com a realidade do nosso tempo.

Esses são pois, propósitos da reflexão teológica desenvolvida por muitas universidades confessionais junto aos alunos de todos os seus cursos. As disciplinas que abordam tal temática recebem nomes diversos, conforme a instituição: Teologia, Cultura Religiosa, Antropologia Filosófica, entre outros. O fato é que parecem ter uma primeira preocupação comum: orientar o universitário para a reflexão sobre Deus e sua relação com o ser humano. A seguir, vem a reflexão sobre a religião, conforme dito acima.

E, evidente que o aluno do curso de Direito, Enfermagem, Fisioterapia, Administração, Turismo, Publicidade e Propaganda ou Engenheiros, em princípio, não esteja preocupado com esse tipo de reflexão. Daí, a sua natural resistência à disciplina.

Afinal, antes de ser profissional, o universitário é um ser humano e como tal busca a felicidade, razão e valor pleno para a vida. O que talvez ele não tenha se dado conta ainda é que na alma — campo por excelência na qual Deus se revela ao homem — reside toda a possibilidade de felicidade. Logo, se unir-se a Deus significa encontrar a felicidade, valer-se da religião para unir as realidades humanas e divinas, significa promover o encontro do homem com o valor pleno da vida humana.

A experiência religiosa é verdadeira, sobretudo quando concreta. Enquanto for apenas discurso, é vazia e imatura. Por outro lado, o homem é um todo do qual faz também sua racionalidade. À reflexão teológica (aliada particularmente à filosofia) cabe sustentar e amadurecer a prática religiosa. As conclusões às quais o aluno pode chegar a partir de sua reflexão íntima são de responsabilidade e interesse exclusivamente seus”.

QUESTÕES PARA REFLEXÃO/DEBATE

1. O QUE ACHEI DO TEXTO?
2. EM QUE CONCORDO COM O AUTOR?
3. EM QUE NÃO CONCORDO?
4. O QUE PODERÍAMOS ACRESCENTAR À REFLEXÃO?


1.           Introdução à Teologia

Na origem, o homem se entendia como fazendo parte de um conjunto dominado por forças que o envolviam completamente e condicionavam todos os passos de sua existência. Essa percepção de integração, mais do que de dependência, se traduzia na linguagem mítica, que até hoje serve para exprimir realidades fundamentais para o homem, como pessoa e para a sociedade.
Contudo, a organização da vida terrena e a progressiva distinção entre um além ou um lá no alto, distinto do agora e do aqui em baixo, levam o homem a alimentar uma sensação de impotência, de separação, de fraqueza, de morte ou mesmo, de pecado, atribuindo o poder e a força às potências do alto, de que se sentia cada vez mais dependente.
A subjetivação destas potências, de que as forças cósmicas seriam as expressões, leva a falar dos espíritos celestes ou dos orixás, que lá do alto encaminham os mortais pelas veredas, às vezes tortuosos desse mundo.
Assim como aqui em baixo a unidade do grupo dependia de um chefe, verifica-se uma transposição dessa necessidade de unidade e de chefia para as potências do além, de um espírito supremo, um Deus. Sem que se possa generalizar, os dados que possuímos não nos autorizam a falar nem de monoteísmo, nem de politeísmo. Verifica-se uma simples transposição para o mundo do alto e do além, das necessidades experimentadas na vida terrena. Esta, aliás, por sua inversão compreensível, acaba sendo concebida como reflexo e imagem do além, de que dependeria em todos os seus momentos e em todos os seus valores.
A grande ruptura desse paralelismo céu - terra, que conferia ao monarca o papel de representante de Deus, teve lugar na manifestação religiosa propriamente monoteísta, que caracteriza o fenômeno religioso judeu. Deus se revela a Moisés como totalmente outro. Seu poder não é como o deste mundo, nem passa pelo monarca, mas pelo povo, uma tribo odiada e oprimida. Moisés se torna o arauto de uma nova teocracia, não representada pelo Rei, mas pelo reconhecimento do Altíssimo, a que estão sujeitas todas as coisas, e, por conseguinte, toda vida e todo o universo. O Senhor é Aquele que é inominável, de quem dependem tudo e todos.
O monoteísmo hebraico é um fenômeno religioso absolutamente original que se impõe através de duas notas essenciais: Deus é Senhor absoluto de todas as coisas e, nesse sentido, a religião é, por natureza, universal. Tudo e todos estão totalmente submissos a Ele.
Mas, nem por isso Ele se impõe. Não oprime nem escraviza o homem, que dele se deve aproximar, na liberdade da fé e no acolhimento do seu chamado. O nascimento no seio do povo eleito não é uma garantia de salvação, mas uma exigência de fidelidade, que muitas vezes foi rompida com graves conseqüências para os faltosos e para todo o povo.
No contexto desse fenômeno religioso maior, que é o judaísmo, se apresenta Jesus. Ele vem como filho de Deus, não porém na autoridade do inominável, mas como um dos nossos, feito homem de carne e osso, nascido, como todos nós, de uma mulher. O monoteísmo é mantido, mas a religião ganha um novo centro, a relação interpessoal, pois o Filho, consubstancial ao Pai, se encarnou e se fez um de nós.
O cristianismo abriu assim um novo capítulo na história religiosa da humanidade. O homem se realiza como homem e encontra um sentido para sua vida, na prática da justiça e da solidariedade, seguindo o caminho indicado e aberto por Jesus. O ungido de Deus é o Filho, que, porém, não vem como um monarca, para submeter todas as coisas, mas como um de nós, como servidor comprometido com os pobres e os oprimidos, mostrando o caminho da justiça e da fraternidade, como a via que conduz ao reino e à salvação.
O fato cristão relativizou a religião. A instituição e as práticas religiosas passam a ter como invariante e principal critério, não tanto o reconhecimento de Deus, inscrito na componente religiosa do homem, mas o reconhecimento do outro e a prática, na liberdade, da verdade, da justiça e do amor, em sociedade.
Sem cristianismo não haveria igreja nem, muito menos, pluralismo religioso. A religião se basearia sempre num dado que se imporia ao homem, nem que fosse, apenas radicalmente, como a pertença ao povo eleito. No cristianismo, somos nós que construímos a Igreja, que estruturamos a religião a partir de nossa fidelidade no amor, que está na base da sociedade e é expressão suprema da liberdade.
O Evangelho é palavra de libertação, inclusive religiosa. Na expressão de Gauchet, o cristianismo é a religião da superação da religião.
É verdade de que ao examinar o cristianismo, percebe-se que os cristãos se deixaram profundamente influenciar pela inércia cultural do pensamento grego e das instituições romanas. Constituíram uma ortodoxia e um império cristãos, que trazia, porém, em seu bojo, os fermentos de um despertar da razão e da subjetividade humanas, chamadas à auto-realização na liberdade e na prática do amor.


2.      O que iremos estudar nesta disciplina?


Teologia

Teologia, em seu sentido literal, é o estudo sobre Deus (do grego θεóς, theos, "Deus"; + λóγος, logos, "palavra", por extensão, "estudo"). Como ciência tem um objeto de estudo: Deus. Entretanto como não é possível estudar diretamente um objeto que não vemos e não tocamos, estuda-se Deus a partir da sua revelação. No Cristianismo isto se dá a partir da revelação de Deus na Bíblia. Por isso, também se define "teologia" como um falar "a partir de Deus" (Karl Barth).
Este termo foi usado pela primeira vez por Platão, no diálogo A República, para referir-se à compreensão da natureza divina por meio da razão, em oposição à compreensão literária própria da poesia feita por seus conterrâneos. Mais tarde, Aristóteles empregou o termo em numerosas ocasiões, com dois significados:

  • teologia como o ramo fundamental da ciência filosófica, também chamada filosofia primeira (METAFÍSICA) ou ciência dos primeiros princípios, mais tarde chamada de metafísica por seus seguidores;
  • teologia como denominação do pensamento mitológico imediadamente anterior à Filosofia, com uma conotação pejorativa, e sobretudo utilizado para referir-se aos pensadores antigos não filósofos (como Hesíodo e Ferécides de Siro).
Santo Agostinho tomou o conceito "teologia natural" da obra Antiquitates rerum humanarum et divinarum, de M. Terêncio Varrão, como única teologia verdadeira dentre as três apresentadas por Varrão: a mítica, a política e a natural. Acima desta, situou a teologia sobrenatural (theologia supernaturalis), baseada nos dados da revelação e, portanto, considerada superior. A teologia sobrenatural, situada fora do campo de ação da Filosofia, não estava subordinada, mas sim acima da última, considerada como uma serva (ancilla theologiae) que ajudaria a primeira na compreensão de Deus.
Teodicéia, termo empregado atualmente como sinônimo de teologia natural, foi criado no século XVIII por Leibniz, como título de uma de suas obras (chamada "Ensaio de Teodicéia. Sobre a bondade de Deus, a liberdade do ser humano e a origem do mal"), embora Leibniz utilize tal termo para referir-se a qualquer investigação cujo fim seja explicar a existência do mal e justificar a bondade de Deus.
Na tradição cristã (de matriz agostiniana), a teologia é organizada segundo os dados da revelação e da experiência humana. Estes dados são organizados no que se conhece como Teologia Sistemática ou Teologia Dogmática.




Plano de Curso


PLANO DE CURSO

Disciplina: FUNDAMENTOS TEOLÓGICOS
Curso: ADMINISTRAÇÃO/FISIOTERAPIA
Horário: Terça-Feira 18h30m-21h30m  /  Quarta-feira 14h20m – 17h10m
Turno: Noturno  /  Vespertino
Carga Horária: 60h
Professor:  RENATO MOREIRA DE ABRANTES
SEMESTRE/ANO:  2/2012

EMENTA

As diferentes realidades a respeito da relação ser humano e Deus. Ser humano e si próprio e ser humano e o mundo, objetivando um dialogo cultural numa perspectiva antropológica, psicológica, humano-afetiva, teológica.


OBJETIVOS

Geral: apresentar aos alunos os conteúdos fundamentais que possibilitam uma sadia compreensão das realidades que dizem respeito à relação entre o ser humano e Deus, conduzindo-os pelo caminho da reflexão sobre o ser do homem e sobre a ação de Deus na história.


Específicos: a) criar um clima de abertura e escuta da Palavra de Deus; b) incentivar o diálogo e a compreensão mútua dos alunos; c) entender as coordenações básicas da ética cristã; d) conscientizar os alunos sobre alguns valores imprescindíveis para uma boa convivência.



CONTEÚDO PROGRAMÁTICO


UNIDADE I: CULTURA RELIGIOSA NA UNIVERSIDADE
1.        Introdução à Teologia
2.        O que iremos estudar nesta disciplina?

UNIDADE II: A ESTRUTURA PESSOAL DO SER HUMANO
1.      O homem como pessoa e como sujeito
2.      O homem como ser de transcendência
3.      O homem como ser de autodeterminação

UNIDADE III: AS DIMENSÕES FUNDAMENTAIS DA PESSOA HUMANA
1.        A dimensão de interiorização
                                                                          i.      Autopossessão
                                                                        ii.      Liberdade e responsabilidade
2.        A dimensão da abertura ou transcendência
                                                                          i.      Abertura ao mundo
                                                                        ii.      Abertura a si mesmo e aos outros
3.        Abertura a Deus

UNIDADE IV: DEUS VEM AO ENCONTRO DO SER HUMANO
1.        As etapas da Revelação Divina
                                                                          i.      O Antigo Testamento
                                                                        ii.      O Novo Testamento
                                                                      iii.      O tempo da Igreja
2.        Teologia da Revelação
                                                                          i.      Fundamentos antropológicos
                                                                        ii.      A ordem natural e a ordem sobrenatural
                                                                      iii.      A doutrina da Dei Verbum

UNIDADE IV: O CONTEÚDO DA REVELAÇÃO
1.        O amor de Deus
                                                                        i.          A lei e a graça
                                                                      ii.          A redenção
                                                                    iii.          A graça e a justificação
2.        A lei moral
                                                                        i.          A lei natural
                                                                      ii.          Os dez mandamentos
                                                                    iii.          A supremacia da caridade

METODOLOGIA
Aulas expositivas, uso do quadro branco, do data-show. Estudo dirigido individualmente e em grupos (atividades extraclasse), debates, seminários, análise de filmes. Utilização do blogger <http://fundamentosteologicosfcrs.blogspot.com>, criado pelo professor, em que serão postadas notas de aula, e no qual serão permitidos os comentários dos alunos, visando a interação, através da internet.

ATIVIDADE EXTRACLASSE

Pesquisas bibliográficas:                              4 hs
Elaboração de um trabalho escrito:              3 hs
Preparação de um seminário:                       3 hs

FORMAS DE AVALIAÇÃO
Conforme regulamentação específica da Instituição, serão aplicadas obrigatoriamente duas avaliações parciais de aprendizagem escritas (às quais se somarão os resultados obtidos das leituras extraclasse) e uma, escrita, de caráter facultativo para aqueles que desejarem melhorar sua média acadêmica, ou de caráter obrigatório, para aqueles que precisarem dela para obter aprovação. Para a composição das notas, serão consideradas as quantidades e o nível dos comentários inseridos nas postagens do blogger acima citado, no limite máximo de 2,5 pontos por nota.


BIBLIOGRAFIA

BÁSICA

CNBB, Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2004.
GONZÀLEZ, Serafín Ruiz, Crescer como pessoa humana, Paulus São Paulo, 1997.
RUBIO, K. Unidade na pluralidade: o ser humano á luz e da reflexão cristãs. São Paulo: Paulus, 2001.

COMPLEMENTAR


JOÃO PAULO II. Carta Enciclica “Fides et Ratio”. São Paulo: Paulinas, 1998.
LIBÂNIO, João Batista. Formação de consciência critica. 5. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 1986.
MONDIN, Battista. O homem quem é Ele. São Paulo: Paulus, 1980. 
SCHILLEBEECKX, E. História Humana Revelação de Deus. São Paulo: Paulus, 1994.
TUGENDHAT, Ernest. Lições sobre Ética. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2000. 

Bem vindos!!!

Caríssimo Alunos dos Cursos de Administração e Fisioterapia.

A internet é uma ferramenta formidável quando bem utilizada. Com ela, podemos não apenas encurtar as distâncias, como também aprender mais e mais. A primeira impressão que se tem, ao navegar pela rede mundial de computadores, é de que o saber é infinito. Quanta coisa ainda há que ser apreendida, conhecida, vivida. O "espanto", como falava Platão, se apodera da gente de tal forma que nada mais nos resta senão reconhecer, com outro filósofo, Sócrates, de que "só sei que nada sei".

A ideia de criar este blogger, específico para a nossa disciplina de Fundamento Teológicos, partiu da experiência que tive com a especialização em Gestão Pública, concluída em março de 2012, realizada parcialmente a distância, pela Universidade Estadual do Ceará. Derrubando todos os preconceitos e equívocos, educação a distância (a EaD) dá muito mais trabalho, porém, rende tão quanto a educação presencial.

Naturalmente, nossa disciplina, por ser presencial, exigirá de nós assiduidade e participação (no mínimo 75% do total das aulas, ou seja, 45 aulas). Contudo, creio que este blogger será bastante útil para acompanharmos diariamente, no horário em que quisermos, o desenvolvimento dos conteúdos de  Fundamentos Teológicos.

A você que chega agora à nossa Faculdade Católica Rainha do Sertão, seja muito bem vindo. Será uma honra para nós tê-lo como acadêmico e, nesta disciplina, como aluno seja do Curso de Administração, seja do Curso de Fisioterapia.

Seremos introduzidos lentamente no ensino superior, em que o método será outro, bem diferente daquele do ensino básico ou médio. Aqui, seremos autônomos em nossa busca pelo conhecimento e, raramente, alguém pegará em nossa mão, de forma a nos tolher a liberdade. Contudo, muito mais que alguém para nos "fiscalizar", eis a consciência a nos lembrar sempre de nossa "responsabilidade". Portanto, sejamos responsáveis e não desperdicemos o tempo e o privilégio que Deus nos concede, em cursar uma faculdade (num país em que apenas 3% dos jovens em idade acadêmica estão no ensino superior).

Quanto à disciplina, Fundamentos Teológicos, em sendo a nossa Faculdade uma Instituição Confessional, ou seja, mantida pela Diocese de Quixadá, uma entidade que visa a evangelização, por demais natural é a inserção de um componente curricular voltado para questões pertinentes à vida interior, à vida espiritual, pois não somos meros animais, somos homens, mulheres, pessoas, dotadas de uma alma racional. Assim como nutrimos o corpo, precisamos, igualmente, nutrir a alma. Cuidemos dela, para garantir a "alegria que não termina nunca".

Não estamos aqui para sermos apenas bons profissionais (bons "apertadores de parafusos"), mas, sim, para sermos bons cidadãos e, queira Deus, bons cristãos. Conhecer a realidade íntima, interior de cada um de nós, e dos outros que nos cercam e que serão destinatários de minhas capacidades profissionais, é mais uma das nossas obrigações. Pois o mundo está farto de tantos "apertadores de parafusos" que só sabem "apertar parafusos".

Ninguém se sinta temeroso, haja vista não ser pretensão nossa, nem da Faculdade Católica, fazer "proselitismo", ou seja, sugerir que alguém abandone a sua fé e siga para outra. Judeus, ateus, protestantes, espíritas, católicos, todos, indistintamente, serão respeitados e não se tolerará, em sala de aula, ou fora dela, qualquer ato discriminatório ou intolerante. Não podemos esquecer as palavras do papa João XXIII: "temos que olhar para aquilo que nos une, e não para aquilo que nos separa". Nossa disciplina versará sobre aquilo que nos une, para que o mundo seja, um dia melhor.

O respeito e a liberdade serão os condutores da nossa disciplina. Seremos conduzidos pelo caminho da reflexão baseada na experiência cristã bimilenar da Igreja Católica, isto é verdade, à qual toda e qualquer pessoa de boa vontade pode ouvir e aplicar, independentemente de sua confissão ou prática religiosa. Serão lançados os alicerces para uma formação humanista, que é exatamente do que carece o mundo.

Espero que, juntos, possamos construir uma disciplina útil e proveitosa e, ao final do semestre, terminemos o período letivo carregando algo de bom, para o resto do curso e para o resto da vida. A partir de agora, ninguém é melhor que ninguém. Todos estamos no mesmo barco e precisamos nos ajudar uns aos outros.

Renato Moreira de Abrantes
Professor

Para iniciar, assistamos ao vídeo abaixo: