NOTA DE AULA II
UNIDADE II: A ESTRUTURA
PESSOAL DO SER HUMANO
O homem não é uma obra completa e inacabada.
Pelo contrário, é um projeto sempre em andamento. Este projeto humano possui
muitos aspectos, quais sejam, o cultural, o espiritual, o divino. Justamente
por isso, recebe um nome completo: PESSOA. O homem – e somente ele – é pessoa.
Um animal nunca será considerado “pessoa”, pois lhe falta a essência humana.
Verdade que o cão tem a
essência (natureza) canina e o gato, a natureza (essência) felina. Só o homem
tem natureza/essência humana. O que faz o homem ser homem e não ser cão, ou
gato? Resposta: a sua essência.
Qualidade primeira da
essência humana é a sua racionalidade: só o homem é capaz de assimilar
conhecimentos, sedimentá-los em sua memória e aplicá-los ao seu cotidiano.
Bastante plástico (concreto) é o que nós fazemos em sala de aula: assimilamos
saber para, uma vez formados, aplicarmos no cotidiano profissional.
No entanto, não podemos
esquecer que a racionalidade envolve também a vontade, conceituada como sendo a
capacidade de associar o livre arbítrio e o determinismo. O indivíduo tem a
opção de escolher se faz ou não faz determinado ato, julgando, avaliando,
sugerindo e opinando sobre suas próprias ações.
Os atos podem ser
decorrentes da vontade e da inteligência (no que se diz “racional”); decorrem
do mero instinto (no que se diz “irracional”).
Os atos da vontade ocorrem com representações
conscientes do fim, com conhecimento dos meios e das conseqüências. Os atos dos
impulsos são atos sem conteúdo e sem direção, aparecem subitamente e geralmente
com conseqüências danosas. O indivíduo se entrega de maneira passiva e cega,
ignorando o objetivo.
Compreende-se, assim, a “possibilidade” de um
racional demonstrar ser irracional, quando age motivado unicamente pelos seus
instintos.
O indivíduo será tanto
mais PESSOA HUMANA, quanto mais racional for. Uma pessoa humana será tanto mais
plena, quanto mais aprofundar a reflexão a respeito de si mesmo, dos outros e
de Deus. Enquanto pessoa, sujeito; enquanto pessoa, ser capaz de transcender e
atingir as realidades superiores; enquanto pessoa, ser capaz de
autodeterminar-se.
1.
O HOMEM COMO PESSOA E COMO SUJEITO
Somos pessoas. Com Kant, afirmamos ser
portadores de dignidade e reivindicamos respeito. Como ser racional que sou,
afirmamos, sou uma pessoa. Como pessoa, constituo um fim em si mesmo. Não posso
ser utilizado como simples meio. Como pessoa, compreendo uma dignidade e,
assim, não tenho preço.
Assim está posto, e parece, realmente, que
assim está bem posto. Hoje, dois séculos depois de Kant, a linguagem da
filosofia moral assimilou seus ensinamentos e nos reafirma possuidores de
dignidade e merecedores de respeito. Na linguagem jurídica, a compreensão de
uma "dignidade da pessoa humana" está presente em praticamente todas
as Cartas constitucionais. Os cidadãos assimilaram o linguajar e também
proclamam dignidade e exigem respeito. Tudo parece muito claro, e chegamos a
estar convencidos de que assim realmente é e de que assim, realmente, deve ser.
Locke diz que pessoa é "um ser pensante, inteligente, dotado de razão e
reflexão, e que pode considerar-se a si mesmo como um eu, ou seja, como o mesmo
ser pensante, em diferentes tempos e lugares". Pessoa não é, necessariamente,
homem. Nascemos homens, e podemos nos tornar pessoas. “Pessoa” é o termo
utilizado para designar homens meritórios em suas ações. A pessoa concebida por
Locke, portanto, pertence ao domínio racional, agindo para buscar a felicidade
e evitar o infortúnio; por esse agir, a pessoa é reconhecida enquanto homem e
enquanto ser inteligente que, no presente, reflete e raciocina sobre si mesmo e
é capaz de se perceber no passado, de se reconhecer no presente e de se
conceber no futuro.
Para os gregos,
“persona” era a máscara utilizada pelos artistas de teatro. Assim, seguindo o
pensamento grego, “pessoa” é a máscara que nós utilizamos no teatro da vida. É
a nossa personalidade, portadora da Razão, que nos distingue dos animais e que
nos faz diferentes deles. Inteligência e vontade, criaturas de Deus, são
capazes de alçar-nos ao cume de todos os seres, haja vista as capacidades
interiores que Ele colocou em nós.
Assistamos ao vídeo
abaixo:
Aprofundemos o assunto
com uma leitura do artigo “A pessoa como valor absoluto”, de Luís Carlos Lemos
da Silva.
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A PESSOA COMO
VALOR ABSOLUTO
Luis Carlos Lemos da Silva
Resumo: o
texto analisa filosoficamente a pessoa como sujeito, tendo como princípio
básico a reflexão teórica sobre a complexidade do ser humano, valendo-se do
conceito de pessoa como valor absoluto. Define-se como tese principal que a
pessoa é o homem concreto, jogado na existência e convidado a transcender o
dado cultural. No processo evolutivo, o homem se distancia da perene criação
cultural e se encontra num complicado processo de ralações do ser-em-si e do
ser-para-outro. Este estudo busca estabelecer pontos de encontro entre essas
duas categorias, procurando, entre outros objetivos, confirmar que o ser humano
é um ser radicalmente aberto ao transcendente.
Palavras-chave: pessoa,
antropologia, metafísica, alteridade, transcendente
O objetivo do
texto é fazer uma análise filosófica da pessoa como sujeito, tendo como
princípio básico uma reflexão teórica sobre a complexidade do ser humano a
partir do conceito de “pessoa como valor absoluto” (NOGARE, 1976, p. 442).
Portanto, a reflexão parte do pressuposto que a problemática humana é complexa
e como tal pode ser abordada de muitos modos. Em razão disso, este texto assume
a perspectiva humana enquanto realidade inacabada, isto é, dever-ser.
O assunto
situa-se no interior da Antropologia Filosófica, mas não consegue dispensar as
interferências do universo metafísico e religioso. Por outro lado, menciona
algumas concepções antropológicas, entre as quais o ser autêntico (Lévinas), o
ser pensante (Descartes), o ser criado (cristianismo), o pastor do ser
(Heidegger); pois entende que elas apresentam uma via importante para pesquisar
e investigar a questão central, podendo seguir esta formulação: o que é o ser
humano, como ele se relaciona e significa a sua abertura ao transcendente?
Assim, a temática é pertinente, pois instiga, sem tréguas, a existência humana.
A METAFÍSICA DA
PESSOA
A metafísica da
pessoa apresenta as pistas de Lima Vaz (1993), mostrando que a pessoa é fim e
não meio. Inicialmente, a pessoa é espírito encarnado. Enquanto corporalidade,
está submetida aos condicionamentos históricos temporais, inclusive a
instrumentalização, mas, enquanto espírito, é pessoa, é existência própria, é
incorruptível, apenas recebe interferências externas. Portanto, o homem como
ser espiritual é sujeito autônomo e nunca objeto, servo ou instrumento. Em
segundo lugar, a pessoa é espírito incorruptível e imortal. Enquanto corporalidade,
está sujeita à morte e à decomposição, e isso a caracteriza como meio, mas a
imortalidade surge como uma nova prova da finalidade em si da pessoa. Em
terceiro lugar, a pessoa é autoconsciência, como fim ou como valor absoluto, em
suma, como eu: porque, sob pena de cair em contradição, não há como negar o
testemunho paradoxal e simultâneo na certeza da dúvida.
Em quarto lugar,
a pessoa é um todo; porque, enquanto unidade espiritual e teleológica é
respeitada como valor absoluto, inclusive por Deus. Em quinto lugar, a pessoa é
um universo; porque, enquanto espírito inteligente situado no universo,
transcende e penetra a profundidade de tudo, teórica e praticamente, em suas
causas, relações e fins; e se afirma como senhora, cabeça, fim e valor
universal.
Em sexto lugar,
a pessoa é livre; determina as próprias ações e fins espirituais, que estão em
sintonia intrínseca com a própria lei natural da liberdade. Em sétimo lugar, a
pessoa é ordenada, imediatamente, para Deus; porque, enquanto espírito
inteligente e vontade, é ordenação perfeita e imediata a Deus, fonte de todo
dom e de toda felicidade, e, como tal, pode conhecê-lo e amá-lo diretamente.
Em oitavo lugar,
a pessoa tem em si algo de divino; porque, traz imanente a presença do divino e
de alguma forma participa da sua natureza divina. Assim, todas as pistas
excluem definitivamente o caráter instrumental da pessoa. Portanto, a pessoa é
fim e não meio.
A metafísica do
amor é uma expressão cunhada do pensamento de Teilhard de Chardin (1981-1955),
por Nogare (1976), em dois pontos.
Em primeiro
lugar, a metafísica do amor revela o valor absoluto da pessoa em contraposição
aos pensadores que só vêm incompatibilidade e instrumentalização em todas as
relações entre dois sujeitos ou entre sujeito e objeto. Portanto, passar do
estudo metafísico da pessoa para o estudo metafísico do amor é afirmar que o
amor é “complacente” no sentido da expressão agostiniana sobre o tempo: se
ninguém me pergunta, sei o que é, mas querendo explicar a quem me pergunta, não
sei (AGOSTINHO, S., 1984).
A metafísica do
amor expressa-se como complacência, presença, energia, desinteresse e
pessoalidade. Esta exuberância esconde a pergunta: pode haver amor totalmente
desinteressado? A resposta contingente é problemática, pois ela sempre mantém
algum tipo de interesse, ainda que o fim pelo qual se ama um objeto seja sempre
a sua utilidade para nós: pode-se amá-lo simplesmente porque ele é bom em si.
Portanto, o homem pode amar dignamente seu próximo sem instrumentalizá-lo; mas,
também, não pode amá-lo totalmente desinteressado, pois todo amor comporta
alguma relação de conveniência com a pessoa amada.
Especificamente,
o amor é o único meio para atingir, concretamente, o valor absoluto da pessoa,
pois “entra onde a ciência cognoscitiva não penetra”. Só a experiência do amor
perscruta o centro metafísico da pessoalidade. Enquanto a metafísica justifica
o valor absoluto da pessoa, o amor penetra este valor em sua essência concreta
mediante a experiência vital, pois é o único que pode dar à pessoa a
experiência concreta do seu valor e da sua alteridade significativa com o
mundo, os outros e a transcendência.
Porém, o amor
comporta ainda uma última questão. É possível um amor desinteressado e
transcendente? O amor benevolente não alcança esta dimensão, porque sempre
comporta algum aspecto egoísta. O amor relacional e de perfeição pessoal
ultrapassa esse nível: transfigura o primeiro e o transcende até o amor ao
indiferente e ao inimigo: é o amor pelo amor.
Assim, o amor
complacência, presença e energia mediatiza toda relação intersubjetiva, seja
para captar o valor concreto da pessoa singular, seja para realizar a
experiência concreta do próprio valor pessoal. Em suma, o valor absoluto da
pessoa, transcende a dignidade e a justiça, e só é reconhecido plenamente pelo
amor autêntico. Em segundo lugar, o valor absoluto da pessoa à luz da evolução chardiniana
fornece a prova científica de que a pessoa é fim e não meio: o homem é o eixo e
a flecha da evolução; a chave, a cabeça, o pináculo do universo, frente
avançada da vida, desfecho da cosmogênese, coroa e acabamento de tudo aquilo
que o mundo material e animal traz consigo há milhões de anos de existência. Se
ele deriva da matéria, não é explicável pela matéria.
Com efeito, as
visões evolucionistas das ciências naturais e humanas recentes confluem na
ressalva do valor absoluto da pessoa individual, social e na sua
responsabilidade cósmica, portanto, ética. A lei ética suprema consiste em tudo
experimentar e tudo levar na direção de maior consciência; ou seja, a lei geral
e suprema da moralidade consiste em reconhecer o universo em vias de
transformação espiritual. Portanto, a solidariedade do homem com a natureza e a
sociedade ganha dimensão planetária e a individualidade da pessoa humana assume
as feições de “nós” (Tomás, Kant, T. Chardin) e se afasta do “eu” (Descartes,
Kant, Sartre).
Dessa forma,
abre-se então nova perspectiva: a categoria de evolução preapreende o horizonte
da consciência cósmica e, em última análise, crística. Eis o alfa e o ômega
absolutos da Pessoa individual, social e planetária, a sua ética suprema: a
cosmogênese crística.
A METAFÍSICA DA
ALTERIDADE
A presente
questão é expressa com precisão no texto Totalidade e Infinito (LÉVINAS, 1997),
mas segue interpretação pessoal, segundo a qual o autor golpeia, num golpe
único, a mente abstrata e a experiência pessoal, particular, pontual, medíocre,
à luz da alteridade: relação face a face, que emerge do terreno comum do
cotidiano escorregadio e do mistério
palpável.
Trata-se de uma
intuição sofisticada, cuja moldura pode ser a seguinte: a nudez imperativa e
suplicante do olhar e do rosto alheio é espada de dois gumes que transpassa
horizontal e verticalmente a existência do eu letárgico, despertando-lhe o
último fóton de sensibilidade capaz de ejetá-lo para a alteridade. Esta
formulação aspira balbuciar o flagrante inenarrável do autor: o rosto e o olhar
veiculam a expressão, mas não são a expressão.
O autor parece
delinear sua intuição a partir do processo decadente de algum personagem.
Inicialmente, dotado e instrumentalizado para a comunicação mais completa e
persuasiva. Pouco a pouco destituído de tudo: os meios da palavra e até da
possibilidade de fazer ouvir o seu clamor, o grito e o derradeiro sussurro e,
então, a mudez da nudez.
Assim, a
expressão é a falência da palavra, do rosto e dos olhos. Diáfana e cintilante,
ela perpassa o olhar e o semblante; é imediata e tão distante. Corpuscular e
ondulatória, também excita a retina da sensibilidade, retrata, reflete e refrata,
com espírito de fineza, a feição humana, lugar onde energia e matéria comungam
na mesa da reciprocidade sempre inédita da vida.
A expressão impele
fundamentalmente a algo anterior e radical, ou seja, ao encontro
entre um eu e um
tu. Esta só torna-se fecunda num diálogo de relação e comunicação, sem
preeminência de um sobre o outro, numa absoluta reciprocidade (RICOEUR, 1991, p. 383).
Enfim, “na
alteridade se busca um novo e fecundo convívio” (AGOSTINHO, N., 1993, p. 155).
Porém, a alteridade como expressão, ainda precisa se justificar face à
perspectiva da morte.
A PESSOA EM FACE
DA MORTE
A categoria de
pessoa como unidade radical apreendida pela antropologia filosófica condensa a
genuína expressão humana, que ascende da mais abissal região ontológica. Ela
recolhe o vínculo que enfeixa as categorias estruturais e relacionais (o corpo
próprio e a objetividade, o psiquismo e a intersubjetidade, o espírito e a
transcendência) que mediatizam a possibilidade de realização pessoal.
De fato, as
categorias enunciadas guardam em si o germe de uma persistente inadequação
denunciada por um esforço de totalização sempre protelado e transferido de
categoria para categoria. Esta insanável fenda por onde escapa um certo “existencial
transcendental” não é outra realidade senão a epifania do “excesso ontológico”
que habita cada fibra da pessoalidade.
Contudo, o
desmedido esforço do discurso antropológico não pode se esquivar e nem escapar
das sombras da morte. Trata-se de tematizar o último round da dialética
humana: o embate entre a obviedade do ser para a morte e a persistência milenar
da sua imortalidade, sem fugir da racionalidade filosófica.
Mediante a
constatação de ser no mundo, o homem toma consciência do que o sentido da vida
se torna inquietante e dramático perante o fator morte. Ela se mostra por si
como questionamento radical do sentido último da vida, que não deixa saída:
qualquer tentativa de evitá-la, aparece inútil, porque a morte inexoravelmente
chegará. Por conseguinte, “morrer é o ato mais íntimo da vida: ato contínuo de
entrega. Num primeiro ensaio entrega ao mundo, somos no mundo. No final do
ensaio, entrega ao Desconhecido, somos no outro” (BUZZI, 1998, p. 149).
Não obstante
tudo isso, é preciso reconhecer que uma resposta plena e cabal a essas
interrogações permanece além dos limites da filosofia, no entanto, a razão pode
formulá-las recebendo os estímulos teóricos e históricos que provêm da fé.
Nisso, para que a mortalidade da pessoa, atestada pelo fato absoluto banal e
metafisicamente escandaloso de que o homem é mortal, possa ser suprassumida na
sua própria raiz é necessário que, no homem e no mundo, a eternidade se faça
tempo, não no sentido grego, mas sim no sentido de uma radical temporalização
do Eterno nas vicissitudes da vida humana (VAZ, 1992, p. 233).
Portanto, a
filosofia reconhece que essa vitória não é obtida com suas armas. Mas do seu
anúncio, ela recobra alento para retomar o problema da pessoa e repensá-lo na
perspectiva da tensão entre o tempo e a eternidade, entre o horizonte absoluto
da morte e a transgressão desse horizonte na abertura do ser. Noutras palavras,
trata-se de mostrar que o ser-para-a-morte não circunscreve o horizonte de
todas as possibilidades ontológicas da pessoa, ou então de mostrar filosoficamente
a possibilidade dessa invalidação da morte como matriz hermenêutica fundamental
do ser-no-tempo da vida humana (HEIDEGGER,1988, p. 235).
Nesse sentido, o
ser e o modo do sentido radical da abertura humana ao transcendente permanecem
inacessíveis à demonstração filosófica. É mais uma figura inacessível que
transparece justamente nesse dinamismo da auto-afirmação e nesse surto profundo
do Eu sou que passa além de todo eidos finito e tende à plenitude infinita do
ser, a fim de responder mais radicalmente à pergunta inicial desta síntese: o
homem, quem é ele? Mas a sua explicitação definitiva persiste com a mesma força
desafiadora.
Por fim, tudo
parece indicar o nexo explícito de transição entre as visões filosófica e
teológica em relação à morte. No primeiro caso, a racionalidade filosófica,
apoiada na sua experiência e na sua autocrítica milenares, pergunta pelas
condições de possibilidade da vida, rasgando o véu do tempo para acolher em seu
seio a pessoalidade do eterno: pessoa Pessoa. No segundo caso, a teologia
responde fielmente à realidade afirmada mediante uma
relação
Pessoa pessoa.
Dessa forma, a perspectiva teológica
mostra o horizonte absoluto da busca humana e a filosofia segue o rastro desta
centelha teísta e tenta submetê-la a algum tipo de verificação demonstrativa.
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
O percurso da
reflexão persegue, de forma ascendente, o sentido subjacente da pessoa humana;
isto é, leva em conta o processo que parte da relação com o mundo, o outro e se
estende à existência história subjetiva, intersubjetiva e transcendente.
Todos estes
ingredientes atestam as múltiplas faces e a polissemia da espécie humana e este
patrimônio autocognoscitivo se mostra mediante fenômenos emergentes de
potencialidades inexauríveis. Por isso, o homem não se deixa reduzir a
quaisquer aspectos, mas os incorpora, os suprassume em cada passo de sua
jornada que o leva à identidade e à unidade pessoal: o homem deve ser aquilo
que é.
Assim, a palidez
de sentido vital e a acentuada ausência de valores retratam o individualismo e
o niilismo que caracterizam a vida contemporânea. Disto decorre a perplexidade
de um homem sem natureza, sem Deus, sem história e sem moral, capaz de eleger o
nada nietzscheano como pretenso sentido da vida. E neste vácuo de objetivo, nasce
a responsabilidade pela autogênese de novos sentidos e valores existenciais da
pessoa humana como fim e nunca como meio.
Referências
AGOSTINHO, S. Confissões. São
Paulo: Paulus, 1984.
AGOSTINHO, N. Ética e evangelização:
a dimensão da alteridade na recriação da moral. Petrópolis:
Vozes, 1993.
BUZZI, R. A. Filosofia para
principiantes: a existência humana no mundo. Petrópolis: Vozes, 1998.
HEIDEGGER, M. Ser e o tempo. 2.
ed. Petrópolis: Vozes, 1988.
LÉVINAS, E. Entre nós: ensaio
sobre a alteridade. Petrópolis: Vozes, 1997.
NOGARE, D. P. O meu filosofar centrado
na pessoa. In: NOGARE, D. P. Rumos da filosofia atual
no Brasil em
auto-retrato. São Paulo: Loyola, 1976.
RICOERUR, P. O si-mesmo como um
outro. São Paulo: Papirus, 1991.
VAZ, H.
C. de L. Antropologia filosófica II. 2. ed. São Paulo: Loyola, 1992.
(Coleção Filosófica, 22).
A aula foi a mais interessante de todas. Pois, falar das escolhas / atitudes e da morte onde um simples ato pode trazer ou não a vida, faz agente refletir bastante sobre muitas coisas que às vezes não damos o devido valor.
ResponderExcluirPor exemplo:
Quando se falou em mudanças, mudanças de atitudes partindo do (eu) para o (coletivo), pois como o professor mesmo falou as ações contagiam os outros sejam boas ou não. Eu pensei: Como temos dificuldades de fazer a nossa parte para contribuir para uma sociedade, um mundo melhor, pois geralmente o que argumentamos é que: “Ah o mundo tá perdido mesmo se eu fizer isso nada vai mudar”! Só que é exatamente esse pensamento que está nos levando cada vez mais para o fim do buraco, pois devemos preparar o mundo não para nós e sim para a próxima geração. Serão eles os atores de um novo amanhã. Falamos também sobre os sentimentos/razão/vontade/liberdade tudo isso nos levando a falar da morte que é a única, ou melhor, dizendo uma das únicas certezas que temos nesse mundo, pois a mesma nada mais é que o diagnostico do nosso curto passeio por aqui (mundo/planeta) e o que dele levaremos.
Laurêncio Silva-Administração 1º semestre
É engraçado como o ser humano tem vergonha de si mesmo e é acanhado com a sua personalidade, com o seu eu, muitos prefere viver uma vida inteira a sombra das regras que a sociedade criou e cria ao longo dos dias. “Regras podres, pobres, e nada edificantes”...
ResponderExcluirMuitos deixam de viver uma vida real, para se refugiar em um mundo totalmente surreal/ imaginário, para só assim não ser alvo da sociedade... E detalhe, quando alguém tem a ousadia de amadurecer nesse sentido ou não seguir as regras, todos se voltam com o mesmo pensamento, onde o estranho e a repugnância se misturam ao pensamento de inferioridade …
Os temerosos em viver o real, julgam os que não vivem no surreal? Essa é uma das regras?!
Autor: Laurêncio Silva.
1º semestre de administração
Show muito bom Laurêncio, você pegou muito bem o sentido da disciplina.
ResponderExcluirAssim como nosso companheiro Laurêncio, nos falou ainda existem muitas outras questões ou duvidas que temos, por causa destas duvidas seguimos nossas “vidinhas” sem nos preocuparmos com o próximo, apenas olhamos para nos mesmo e se preocupamos apenas com o que vou conseguir, se fizer isso ou aquilo ou seja no meu próprio beneficio e o que a disciplina tenta no mostrar é que sim é capaz de “UNIDOS” não sozinhos mas com a força de cada um possamos melhorar muitas coisas.
ResponderExcluirTemos que aprender as fazer uma mesclassem entre RAZÃO E EMOÇÃO, para que possamos viver neste mundo em paz e harmonia, respeitando sempre a diferença do outro que esta ao seu lado seja ele (ladrão, assassino, estuprador, ateu, pudista, político, católico...) pois como Prof. Renato mesmo já disse nos não somos animais irracionais Somos “HOMENS”e não podemos retroceder nas nossas vidas e se melhorar.
José Wellington
“1° Semestre Administração”
A maquina humana é muito falha, principalmente quando se fala de escolhas próprias, a humanidade em geral estar vivendo muito de aparência,vivendo mais para s outros do que para si mesmo, não estão muito preocupados com a sua felicidade, mais sim só de "CARCAÇA", e quando se fala de atitudes elas não pensam o que vai servir para ela, mais sim amostrar-se para os outros, hoje em dia pode se dizer que não sabermos mais viver como devíamos.
ResponderExcluirolavo neto- contabéis
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirEste comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirA aula hoje se resumiu praticamente em três tópicos, no qual alguns dos temas falados em aulas anteriores foram revistos e complementados por novos assuntos que foram :
ResponderExcluirA metafísica da pessoa: Ao meu entender é a distinção entre o corpo e a alma onde damos enfase a espiritualidade, estudamos a essência do ser humano o seu lado mais intimo e genuíno.
A metafísica da alteridade: Ao meu entender esse campo estuda a interpretação, observação e conclusão pessoal e intima de cada ser, das mais variadas relações do dia a dia.
É a preocupação em mostrar a razão única de cada um de nós com as relações que estão no ser, agir , pensar, andar, vestir, localidade, naturalidade...(Na essência daquilo que definimos como razão/sentido para o que somos e só mergulhando em nós mesmos poderemos encontrar algumas respostas).
A pessoa em face da morte: Esse é um dos temas mais interessantes de todos e nossa colega de curso disse
perfeitamente sobre o que vem a ser a morte.
Ela disse que: A morte é como se fosse os freios da vida para só assim notarmos o quanto somos frágeis e vulneráveis e não esperar a morte passar por perto para refletirmos sobre o real sentido e valor da nossa existência para nós e para com o próximo.
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..."Para mim, nunca foi a morte um mostro de foice nas mãos esperando a hora certa para nos degolar, muito pelo contrario, ela é um anjo de libertação, um anjo que nos mostra o quando somos, tolos, frágeis, egocêntricos, egoístas e desumanos um com os outros e é só na sua chegada que reconhecemos isso". A morte nada mais é do que o medo de não vivermos mais afogados no materialismo (somos apegados a tudo aquilo que criamos para o nosso dia a dia desde uma nova bebida ou comida a um transporte tudo ilusão, surreal de mais) e esse medo só existe porque não nos preocupamos com o nosso verdadeiro EU o nosso lado espiritual que é o que de fato somos e temos de valor...
No fundo de nossa alma, mesmo quando crianças inocentes, já temos a certeza de que a vida não se encerra após a nossa morte, mesmo assim ainda existem alguns que externamente relutam a admitir.
Autor: Desconhecido
Laurêncio Silva-Administração 1º semestre 2012.2
Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com freqüência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar.
ResponderExcluirWilliam Shakespeare
Bom Dia!
ResponderExcluirUfa acordei VIVO!!!! RSRSRS!!!!!
Brincadeira, mas falando sobre a aula ontem foi uma das aulas mais interessantes de todos, pois agora sim as pessoas que estão cursando “Fundamentos Teológicos” cujo se questionavam, mas para que essa disciplina? Num vai servi para nada!!!!
Será possível que num já deu para entender o intuito não! Minha gente, nossa senhora será o impossível, olha só, na minha opinião é que não basta apenas sermos “pessoas” (seres vivos) e sim temos que ser diferentes e não apenas “ NASCERMOS-VIVERMOS-MORREMOS” ou seja inicio meio e fim, é só nisso que se resumi a vida?
Será que não temos ‘Alma” um coração, sentimento ou só vivemos pela razão (comer, beber, curtir, namorar, comprar roupa tal carro tal) sim sim precisamos de quase tudo isso para sobrevivermos, ou sermos aceitos em uma determinada sociedade, como já fim dito temos que acha um meio termo entre “RAZAO-EMOÇÃO”
E ai vem à parte mais interessante de todas, “A MORTE” nossa assusta esse nome MORTE! Não é? Mas a morte é o fim mesmo de tudo será que acabou? Morreu e pronto, é assim mesmo? Como nossa colega disse em sala de aula, a morte é o momento mais frágil das nossas vidas, podemos tudo (comer, beber, curtir, namorar, comprar roupa tal, carro tal), mas não podemos brincar com a vida pois ela tem INICIO-MEIO-FIM.
José Wellington
Adminintração